Na encenação, cada aspecto da vida da cidade é posto em questão como peça dessa construção, captando a percepção da criança sobre a cidade: paisagem natural, paisagem transformada, moradia, transporte, trabalho, escola, lazer. Paralelamente à construção desta cidade, acompanha-se o nascimento e o crescimento do próprio indivíduo.
Para construir o texto da peça, fruto de projeto premiado com a Bolsa do Programa de Estímulo à Criação Artística da FUNARTE, a dramaturga e arte-educadora, Ana Elizabeth Japiá, realizou oficinas com oito turmas do ensino fundamental (crianças de 8 a 10 anos) de escolas da rede pública e privada da cidade do Recife. Nas oficinas, através da manipulação do jogo Brincando de Engenheiro, os alunos foram estimulados a construir cidades imaginárias, como representação de um lugar lúdico e ideal, com a inserção do homem nesta realidade e as transformações provocadas por ele na natureza.
As idéias, impressões e diálogos das crianças durante o processo de construção foram incorporados ao texto, como sendo das próprias personagens. Desta forma, a peça estabelece uma aproximação com a linguagem da criança, trazendo-a para dentro do texto e aumentando a aproximação da obra com o seu público. Com toda a cenografia construída com peças do jogo Brincando de Engenheiro, a encenação, além dos dois atores, ainda conta com bonecos e músicos ao vivo. A peça Minha Cidade é uma produção do Grupo Teatral Marco Zero.
Fábio André
Fábio André