O jovem Diego Gualberto, 18 anos, suspeito de ter assassinado a tiros o cunhado, no último sábado, no bairro de Rio Doce, em Olinda, falou pela primeira vez sobre o crime em entrevista à reportagem da Folha de Pernambuco, ontem à tarde. Visivelmente nervoso, ele contou detalhes do ocorrido e o que o motivou. A namorada dele, Yslainne dos Santos, 16 anos, irmã de Ytalo, estaria sendo abusada sexualmente pelo irmão há dois anos. Segundo o advogado responsável pela defesa do rapaz, Sílvio Luiz Ferreira, Diego deverá se apresentar espontaneamente ainda hoje à polícia.
Ytalo dos Santos, 18 anos, foi morto com dois tiros, enquanto dormia na casa em que morava com a mãe. Durante os cerca de 60 minutos de conversa, o suspeito de cometer o homicídio contou que resolveu apresentar a sua versão do ocorrido. “No sábado de manhã, quando cheguei da festa, tirei a dúvida que tinha já fazia um tempinho. Já tinha perguntado à minha namorada, mas ela negava, com medo. No sábado, ela deitou comigo e começou a contar tudo, que era estuprada desde os 14 anos”, detalhou Diego Gualberto.
Após Yslainne revelar o que acontecia, o casal decidiu viajar e foram buscar os documentos da moto de Diego que estavam com o cunhado. Diego alega que encontrou a arma usada para cometer o assassinato na casa da vítima. “Quando fui procurar os papéis (documento) no guarda-roupa dele vi uma arma. Peguei e fiquei muito nervoso porque estava com muita raiva. Lembro de ter gritado ‘tarado safado’. Todo mundo escutou, minha namorada, o vizinho que estava do lado. Atirei e saí desgovernado”, disse, acrescentando que saiu sem saber se tinha acertado os tiros em Ytalo.
Depois do crime, Yslainne foi embora com o namorado. A mãe da garota acredita que ela tenha sido forçada. Contudo, o casal nega. Diego falou que, após o ocorrido, ainda sugeriu levar Yslainne para a casa do pai. Mas ela recusou, preferindo ficar com ele. Ainda no sábado, o rapaz mandou uma mensagem para o celular da sogra, Mônica Borges, pedindo desculpas pelo o que fez e dizendo por que matou o cunhado. “Estou me sentindo destruído porque eu tinha tudo. Ia para o quartel. Meu sonho era seguir carreira. Agora, não tenho nada”, lamentou.
Diego e Yslainne moravam juntos há cerca de três meses, em uma casa próximo à residência da mãe da garota. Na casa deles, após o crime, a polícia encontrou um revólver e maconha. Contudo, Diego afirma que o material não pertencia a ele, e sim, ao cunhado. “Dias antes ele esteve na minha casa, com uma bolsa cheia de drogas e com uma arma na cintura, pedindo para que eu guardasse. Ele insistiu e eu não quis, mas ele tinha livre acesso à minha casa”, finalizou.
Folha de Pernambuco
