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Grupo ajuda feras a "abrir" vagas


A divulgação do listão da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi a “carta de alforria” para milhares de estudantes que viveram os últimos meses voltados apenas para os estudos. Mas, para aqueles que estão esperando pelo remanejamento de uma vaga, a espera para respirar em paz pode ser um pouco mais longa. Para ajudar a fazer a fila dos remanejamentos caminhar mais rápido e garantir que pessoas que se dedicaram o ano inteiro possam assumir a cadeira no tão sonhado curso superior há 18 anos surgiu o Grupo de Ação para Remanejamentos (Gare - Recife).

 O fundador foi o professor de cursinho pré-vestibular e da Universidade de Pernambuco (UPE), Fernando Beltrão. Ele notou que todos os anos chegavam a se perder até 20 vagas, somente no curso de Medicina. “Acontece que muitos alunos cursavam um semestre na UPE e, depois, abandonavam e iam para a UFPE. Na época, eu tentava entrar em contato com os alunos que conhecia, para que eles cancelassem uma das matrículas. Com o tempo, conseguimos mais voluntários e o grupo cresceu bastante”, contou o docente. Assim que saem os listões das duas universidades públicas do Estado, o grupo cruza os dados.

Como, por lei, ninguém pode fazer dois cursos em universidades públicas ao mesmo tempo, os alunos terão que decidir onde ficarão de uma forma ou de outra. No dia da matrícula, voluntários do Gare, geralmente compostos por pais e alunos que aguardam uma vaga, abordam as pessoas que vão entregar a documentação, e caso descubram que elas passaram em outra universidade, tentam convencê-los a cancelar a matrícula a tempo para que outro aluno possa assumir a vaga. “Queria lembrar a esses alunos, não importa de que curso, de que é preciso ter ética. Essa decisão pode diminuir o sofrimento de outra pessoa”, ressaltou Fernando Beltrão.

A estudante Bárbara França, 18 anos, é uma das voluntárias do Gare. Ela prestou vestibular para Medicina pela segunda vez, e quando foi entrevistada para esta matéria, precisava de 34 desistências. “É uma luta contra o tempo, já que a lei determina que o remanejamento deve acontecer antes que 25% das horas-aula do semestre sejam ministradas”, relata a jovem, que abriu mão de saídas, passeios e se dedicou, todos os dias, a longas horas de estudo diário.

A estudante Manuela Mariz Lócio, 21 anos, conseguiu passar nas duas universidades depois de quatro anos de tentativas. Ela já decidiu abrir mão de uma das vagas. “O grupo já me procurou, e eu disse que iria fazer o cancelamento oficial. Fico feliz de ajudar, porque sei o que é passar mais um ano estudando em busca de outra chance. Assim, todo mundo vai se ajudando”, finalizou.

Folha de Pernambuco