Vamos começar tentando colocar alguns ‘pingos nos is’. Não estamos falando de algum menino de rua esfaimado ou de algum jovem viciado e dominado pelas drogas que cometem loucuras e sofrem e fazem outros sofrerem consequências terríveis de seus atos. Não estamos falando de nenhum ladrãozinho de ‘som de carro’. Nem daquele rapazinho ‘simpático’ que passa um ‘bagulho’ ali perto de onde moramos e até parece ser muito educadinho, apesar de sua atividade.
Estamos falando do narcotraficante ‘Matemático’. Um dos grandes traficantes do Século XXI do Rio de Janeiro, liderança de uma das maiores facções criminosas que atuam no estado, o Terceiro Comando Puro. Estamos falando de um sujeito que mandava ‘pelotões’ de traficantes armados com armamento de guerra e vestindo fardamento preto para invadirem a Vila Kennedy e caçarem seus rivais para torturá-los e matá-los. Estamos falando de um sujeito que foi diretamente responsável pela morte de diversos inocentes na Vila Kennedy atingidos por balas disparadas pelos ‘soldados’ de ‘Matemático’ contra as casas e ruas da comunidade e de jovens trabalhadores sequestrados, torturados e mortos pelo simples fato de morarem na área que era dominada pela facção rival a ‘Matemático’, o Comando Vermelho.
Estamos falando de um dos principais responsáveis pela entrada de armas e munições de guerra no Grande Rio. Estamos falando de um homem que comandava diretamente a venda de crack e cocaína para pessoas doentes, dependentes químicos, que levavam o inferno a si próprios e à suas famílias. Semeava a tragédia, a dor, a infelicidade, a desgraça ... e lucrava com isso. Muito.

Por outro lado temos policiais civis que não se furtaram a cumprir sua missão em defesa da sociedade da melhor forma possível, mesmo colocando sua vida em risco ao sobrevoarem em baixa altitude uma comunidade onde sabidamente havia até metralhadoras calibre .50 e .30 capazes de derrubar aeronaves. Policiais honestos, pois se desonestos fossem não estariam ali combatendo duramente o crime e os criminosos.
Policiais que tem a perfeita noção de seu dever e de sua vocação, pois ao estarem ali cumprindo sua função policial deixavam até mesmo de estarem ao lado de suas famílias ou ‘encostados’ como tantos em gabinetes de políticos.

A reportagem sobre a situação é cheia de ‘se’s. ‘Se fosse na Zona Sul..’, ‘se tivesse atingido inocentes...’, ‘ se não fosse o ‘Matemático’.... Quanta bobagem e quanta asneira até avalizadas por quem conhece e muito bem o trabalho policial. Na vida real não há ‘se’. A realidade é que era o ‘Matemático’ e mais dois cúmplices portando armas de guerra, fuzis, metralhadoras e granadas dentro do carro; a realidade é que era em uma comunidade de gente inocente sim, mas com o domínio territorial armado de uma facção criminosa.

A realidade é que nenhum inocente foi ferido e a missão de neutralizar a maior liderança do tráfico na região foi cumprida magistralmente.Foi muito tiro? Foi sim . Ou será que os ‘policiólogos’ queriam que a aeronave baixasse, os policias saltassem ao lado do carro e perguntassem: por gentileza, o Sr. é o ‘Matemático’? Sendo o sr. o ‘Matemático o Sr. gostaria de se entregar? Ou caso o Sr. não queira se entregar será que o Sr. poderia procurar um lugar deserto para nos confrontarmos?
Ou então poderiam os policiais aguardar os traficantes atirarem com seus fuzis e metralhadoras contra a aeronave para então pensarem em revidar e hoje não estaríamos perdendo um tempo precioso debatendo um fato que pela sua própria dinâmica deveria ser apenas objeto de elogios? Ou será que preferiríamos estar hoje chorando a morte de mais alguns policiais no cumprimento do dever? A sociedade deve e tem o dever de repudiar essas tentativas de manchar a honra de policiais combativos e honestos. A sociedade deve e tem de se perguntar o que está por detrás desta história encaminhada de forma tão dirigida a uma determinada conclusão.
Ou será que devemos homenagear o ‘Matemático’ e sua memória e revivermos o lema :’Seja marginal, seja herói’...???
S.Vianna - Diário Riostrense