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A queda de braço entre o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e a Polícia Civil no inquérito que apura falsidade ideológica no batismo de uma criança em Olinda ganhou um novo capítulo. Um dia após a promotora Rosangela Padela, da Central de Inquéritos do município, assumir as investigações do caso contrariando o pedido de arquivamento da polícia, a delegada Andréa Melo entregou ofício na Procuradoria Geral de Justiça (PGJ) solicitando que, em até 72 horas, a promotora se pronuncie e aponte que lacunas foram encontradas por ela no inquérito. A delegada pediu também que Rosangela indique que outras diligências são necessárias, já que discordou do resultado das investigações da polícia.

“Não houve interferência. A minha convicção já estava formada, por isso não foi necessário ouvir outras testemunhas. Se há lacunas, peço que a promotora diga quais são, que as diligências serão cumpridas”, disse a delegada.

O chefe da Polícia Civil, Osvaldo Morais, saiu em defesa da delegada. “Não concordamos com a postura da promotora em assumir o caso. Cabe à polícia investigar. Se o MPPE quiser, pode acompanhar, como já estava sendo feito. Nunca houve pressão alguma. A delegada tem independência. Não há tráfico de influência na polícia. É a honra da delegada que está sendo colocada em xeque”.
O inquérito investigou o casal formado por uma carioca e por um norte-americano, que estava com a guarda provisória da menina M.A., envolvido num processo de adoção irregular, e a advogada Giovana Uchoa, madrinha da criança. Eles informaram nome e sobrenome diferentes da menina no batismo na Paróquia de São José. A certidão de nascimento foi solicitada, mas o casal contou que havia esquecido em casa. Como o padre conhecia Giovana, aceitou registrar a criança sem o documento.
A delegada concluiu que apenas a carioca foi responsável pelo delito, mas entendeu que ela “agiu em erro de proibição (ausência da consciência da ilicitude)”, por isso não a indiciou. A polícia encerrou o caso em menos de 15 dias, chamando atenção por não ter ouvido todas as testemunhas, entre elas a advogada Giovana Uchoa, filha do presidente da Assembleia Legislativa, considerada cúmplice do suposto crime. A assessoria da PGJ informou que irá analisar ofício da delegada.

Fonte: programadizendotudo