O fim do voto secreto na Câmara dos Vereadores do Recife, votado na tarde desta segunda-feira (09), pode dar início a um debate ainda maior na Casa. Alguns parlamentares externaram o desejo de tornar aberto também à votação da Mesa Diretora e o veto do Executivo, procedimentos que ainda permanecem em sigilo nas votações do Parlamento municipal. Porém, para a maioria, por conta de uma possível dependência do Poder Legislativo à Prefeitura, o método deve continuar o mesmo.
“Toda vez que você teve uma ditadura se abriu o voto para o veto e para a eleição da Mesa (Diretora), porque o ditador e o tirano quer submeter à Casa”, afirmou o vereador Raul Jungmann (PPS).
Presidente da Casa, o vereador Vicente André Gomes (PSB) também segue o mesmo raciocínio de Jungmann. “O voto aberto trás retaliações, embora o meu prefeito Geraldo Julio (PSB) é um príncipe da democracia. Minha eleição agora para Mesa não houve interferência dele, mas eu quero dizer que reconheço o voto aberto, que os poderes possam interferir um no outro”, disse o socialista.
“Por isso defendo o voto hibrido que é o voto que, em matérias polêmicas, seja consultado ao Plenário. Se o voto deve ser aberto ou fechado, a principio todos devem ser fechados, com exceção do voto da cassação”, completou.
Em contraponto, o vereador Jayme Asfora (PMDB), luta para que todos os votos da Câmara sejam abertos. O peemedebista deve levar ao Plenário da Casa, um projeto de lei orgânica que visa acabar com todos os votos secretos. A matéria já foi aprovada pela Comissão de Legislação e Justiça da Câmara.
“Vamos trabalhar com humildade para que outros parlamentares tenha a mesma opinião que nós temos. (…) O poder só se fortalece quando ele se aproxima do povo, não com mecanismos sobre esse. A própria argumentação de quem defende que é contra a ditadura traz uma contradição interna, que isso é mecanismo próprio da ditadura e não da democracia, mas a democracia existe também como interação”, explicou o parlamentar.
Os vereadores Augusto Carreras (PV) e Felipe Francismar (PSB) já apoiaram publicamente o projeto de lei de Asfora. Comenta-se nos bastidores que outros parlamentares devem apoiar a matéria. “Isso já está sendo incorporado na Casa. Alguns querem isso. Possivelmente outros colegas devem apoiar (o PL)”, relatou o peemedebista.
Fonte: http://programadizendotudo.com.br
