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Garotinho de 2 anos é viciado em álcool




Ele tem apenas 2 anos e é alcoolista. Isso mesmo. Cheng Cheng, um chinesinho que aos 10 meses começou a receber vinho na mamadeira para se acalmar, viciou. Agora chora, fica nervoso, faz escândalos e só relaxa quando ganha bebida. É claro que as autoridades estão em cima da família, uma coisa dessas não é aceitável nem aqui, nem na China. A notícia saiu no diário Shangaiist e faz eco com a história que chocou o mundo em 2010, do indonésio Ardi Rizal, que também aos 2 anos fumava 40 cigarros por dia. Lembram?

Hoje com 6 anos, Ardi trocou o cigarro pela comida. Tornou-se obeso. É uma das consequências a quem é exposto a um vício desde cedo: a compulsão. Segundo o Dr. Felix Henrique Kessler, psiquiatra e vice-diretor do Centro de Pesquisa em Álcool e Drogas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), como a criança fragilizou o sistema de recompensa, agora fica com potencial de abuso de coisas prazerosas. Os prazeres imediatos se tornam irresistíveis e há maior chance de perder o controle do consumo. Com menos “freio”, no futuro terá mais dificuldade de tomar decisões que tragam benefícios em longo prazo.

“Está cada vez mais claro na literatura científica que, quanto mais precoce o consumo de substâncias psicoativas de abuso como álcool, tabaco, maconha, maior a chance do desenvolvimento de uma posterior dependência química. O cérebro e o chamado Sistema de Recompensa Cerebral estão em plena fase de desenvolvimento nas primeiras décadas de vida e o consumo dessas drogas em tenra infância não apenas compromete o amadurecimento neuronal como também danifica estruturas, causando graves prejuízos e modificando o comportamento na direção de impulsividade e compulsividade”, explica o psiquiatra.

E a gente se pergunta: “Onde estão os pais dessas crianças?”. Estão entre nós e são gente como a gente. Só que sem a menor noção do perigo e do mal que estão fazendo a seus filhos. No caso do chinesinho, foi o próprio pai que começou a dar vinho na mamadeira, às vezes cerveja. Cerveja! Qualquer um saberia que isso estava errado. Mas quantos dão Coca-Cola para o bebê e acham engraçadinhas as caretas que ele faz? A desinformação impera em diferentes níveis. De transtornos alimentares a vícios em drogas, infelizmente, quem paga a conta é a criança.

Uma vez uma amiga me confidenciou que a filha de 5 anos estava obesa: “Ela só quer saber de biscoito recheado e refrigerante”. Então, fiz a pergunta que quase custou a amizade: “Ué, e por que você compra?”. Não foi por mal, mas na minha cabeça pragmática parece lógico (e óbvio) que, se não houver o item em casa, a criança não tem acesso, logo, precisa matar a fome de outro jeito. Pode até espernear e ensaiar um drama, mas em algum momento vai ceder. E comer o que tem.

Somos nós, pais, que pavimentamos o caminho que nossos filhos irão seguir. Queremos que sejam saudáveis? Esportistas? Estudiosos? Temos que dar o exemplo. Benevolência para vícios, nem com a gente mesmo. Numa consulta médica, há muitos anos, um médico me perguntou: “É fumante?”. Respondi: “Não. Fumo socialmente, um cigarro ou outro, de vez em quando”. Ele anotou no questionário: “Fumante”. Protestei: “Mas doutor, se eu somar tudo deve dar um ou dois cigarros, no máximo, por semana!”. Ele calmamente ergueu os olhos e me disse: “Fuma cigarro, é fumante. Não fuma, é não fumante”. Simples assim.

Tendemos a menosprezar e abrandar nossos próprios vacilos. Não pode. Desde que engravidei, nunca mais coloquei um cigarro na boca. E se depender de mim e das orientações que dou, minha filha nunca vai colocar. 

Fonte:  msn.com