A família de Davi Werlang, de 3 anos, que levou mais de 30 mordidas dentro da creche municipal Neusa Nadir Graf, em Sinop, a 503 km de Cuiabá, pediu na Justiça de Mato Grosso indenização de R$ 512 mil por danos morais e materiais.
Em abril de 2013, quando tinha um ano e quatro meses, Davi foi mordido
por outra criança enquanto estavam sozinhos dentro de uma sala da
creche.
Na época, a monitora que cuidava das crianças alegou à polícia que
teria deixado a sala por apenas cinco minutos para beber água. Ela disse
que, quando retornou, a outra criança estava em cima do bebê e o mordia
de forma constante por todo o corpo. Um mês depois, a monitora foi
indiciada pela Polícia Civil por abandono de incapaz e lesão corporal.
A mãe do menino, Carla Cristina Werlang Miranda, quer que o município
pague pelas despesas médicas e consultas psicológicas que a família de
Davi teve que bancar. Além disso, a família quer que a prefeitura
financie uma cirurgia na orelha que Davi precisará fazer no futuro.
Hoje, dois anos depois do fato, a família alega que sofre com as
sequelas físicas e emocionais deixadas em Davi. A mãe diz que o garoto
apresenta dificuldades de relacionamento afetivo com outras crianças e
até com os próprios parentes.
Meu filho era calminho e cativante. Hoje ele está agressivo e revida
tudo. Cheguei a colocá-lo em uma creche, mas ele não se enturma mais com
outras crianças, ficou três meses e não aceitava, tive que tirá-lo. Tem
momentos que ele se isola e fica retraído”, disse Carla ao G1. Agora a criança fica com a mãe o dia todo.
“Ele só aceita ficar comigo e com o pai dele. Davi tem medo de ficar
sozinho. Ele não fica nem com os irmãos dele”, comentou a mãe. A criança
tem outros cinco irmãos que são adolescentes e um de seis anos. Segundo
a mãe, Davi chega a agredir o irmão de seis anos.
Carla diz que o bebê fez apenas quatro sessões no psicólogo pagas pela
prefeitura, e a família alega que não tem condições de pagar por outras
consultas. Os pais do menino trabalham como vendedores de cosméticos e
vestuário na cidade.
De acordo com a família, parte da cartilagem da orelha de Davi terá que
ser reconstruída, pois teria ficado "amassada" e "mastigada". No
entanto, o médico que atendeu a criança disse que esse procedimento
cirúrgico poderá ser feito quando o menino for mais velho.
“Queremos a indenização para que ele faça consultas no psicólogo e no
médico, frequente a escolinha e possa fazer a cirurgia”, disse a mãe.
O advogado que defende a família, Silvio Marinho do Nascimento, diz que
os pais de Davi tiveram prejuízos financeiros por terem que ficar sem
trabalhar para cuidar do bebê, já que Davi não aceitava ficar com outras
pessoas. A família pede R$ 500 mil por danos morais e R$ 12 mil por
danos materiais.
A prefeitura de Sinop terá que se manifestar sobre a indenização em um
prazo de 60 dias. Depois disso, caso seja necessário, uma audiência
deverá ser marcada pela Justiça. Um outro processo, o criminal, também
continua aberto para investigar o caso.
Fonte: G1