Páginas

No WatsApp, mãe se passa por filha e ajuda a polícia prender idoso pedófilo


A técnica em segurança do trabalho Benedita Pinheiro, de 34 anos, diz que vai demorar para esquecer as mensagens recebidas no WhatsApp do celular nos últimos sete dias. Ela manteve contato por uma semana com um homem, de 69 anos, se passando pela filha de 8 anos. De acordo com a mãe, o suspeito escrevia nas mensagens que queria manter relações sexuais com a criança oferecendo dinheiro e presentes. A troca de mensagens auxiliou a polícia na prisão do idoso na terça-feira (5). 

O caso começa em 29 de abril quando Benedita Pinheiro recebeu no celular uma mensagem de um número desconhecido. O contato ocorria pelo aplicativo WhatsApp, usado pela técnica em segurança do trabalho com a fotografia da filha caçula como imagem de perfil. O suspeito de pedofilia, no entanto, imaginou que o aparelho fosse da garota e não da mãe.

“Na primeira mensagem ele disse ‘linda’. Eu perguntei de onde me conhecia e não vi nenhum problema. Desconfiei quando ele me chamou pelo nome da minha filha, que está no status do meu WhatsApp. Em seguida eu perguntei como eu era e ele respondeu com as características da minha filha que estava na imagem de perfil. Nesse momento eu desconfiei e acionei a polícia”, relatou a mãe, que preferiu não mostrar o rosto.

A mãe contou que foi orientada pela polícia para avançar nas conversas com o suspeito a fim de conseguir um flagrante. Mas a mãe não esperava que os diálogos seguintes teriam conteúdos chocantes.

“Continuei conversando. Em uma das mensagens ele disse que ampliou a foto da minha filha e fixou na parede do quarto. Em algumas ocasiões, ligava e pensando que era a minha filha, dizia para eu não falar nada, somente escutar. Ele perguntava sobre o corpo dela e falava palavras obscenas. Para não perceber que não era uma criança, eu apenas fingia sorrir baixinho”, narrou a técnica.

O suspeito, segundo a mãe da menina, também enviava fotos para o celular e pedia imagens da garota em troca. As conversas avançaram por uma semana e ao longo dos diálogos, o idoso também prometeu dinheiro e material escolar. Ele ainda revelou supostos abusos praticados contra outras meninas.

“Ele dizia que era autônomo, com imóveis alugados e religioso da igreja. Enviou algumas fotos com meninas e disse que andava nas escolas pedindo dados de garotas para fazer estágios alegando que colegas deles faziam o mesmo”, afirmou Benedita Pinheiro.

O avanço das conversas por telefone resultou na prisão do suspeito. A Polícia Civil orientou a mãe a marcar um encontro com o idoso para que fosse efetuado o flagrante, em frente a escola Nilton Balileiro, no bairro Marabaixo, na Zona Oeste de Macapá.

A filha da técnica em segurança do trabalho participou da ação. Após orientações de psicólogos, assistentes sociais e equipes da Polícia Civil, a criança foi acompanhada por policiais disfarçados para o local e horário marcado pela mãe e serviu de “isca”. O suspeito chegou em frente ao colégio em um táxi e ligou para o telefone que estava com a criança pedindo para que ela entrasse no carro.

“Sabíamos que ela iria receber a ligação e orientamos que respondesse exigindo que ele saíesse do carro justificando que queria ver o rosto. O homem saiu e nesse momento os policiais fizeram a prisão”, disse a mãe, acrescentando que a filha não soube do conteúdo das mensagens. “Ela se imaginou em um filme policial”, completou.

O caso é investigado pela Delegacia de Crimes Contra a Criança e o Adolescente (Derca). A Polícia Civil apura se o idoso participa de uma quadrilha envolvida em pedofilia, se existem outras vítimas e como teria conseguido o número de telefone que trocou mensagens. A apuração acontece em sigilo e detalhes não foram revelados para não prejudicar a investigação.

Segundo o delegado Daniel Mascarenhas, o idoso foi encaminhado ao Instituto de Administração 
Penitenciária (Iapen). Ele frisou que os assédios podem ser caracterizados tanto pessoalmente quanto pela internet. A pena para prática pode chegar a três anos de prisão em regime fechado.

Fonte: G1