Marcelo Batista Santiago, de 39 anos, passou em primeiro lugar no
concurso público para auxiliar de limpeza da empresa estadual Minas
Gerais Administração e Serviços S.A (MGS). Quase 12 mil candidatos
disputaram uma das 300 vagas oferecidas. Mais do que alcançar o topo da
lista, o ex-morador de rua, que viveu perambulando por Belo Horizonte entre 2012 e 2014, conseguiu retomar o controle da própria vida.
“Foi muito sofrimento. Falta de comida, de lugar pra tomar banho, pra
dormir. Tive que aprender a me virar. Foi muito duro”, disse ele.
Hoje, Marcelo vive na República Reviver, espaço da Prefeitura de Belo
Horizonte (PBH) e administrada pela Arquidiocese de Belo Horizonte, que
oferece moradia temporária para homens sem-teto. São 40 vagas
disponíveis, cuja permanência é por no máximo 18 meses. “Meu sonho agora
é providenciar a minha casa”, contou.
arcelo foi parar na rua depois de um desentendimento com a família.
“Tive alguns problemas com parentes e acabei ficando sem lugar pra
ficar”, disse. Desempregado, era difícil conseguir trabalho sem endereço
fixo. “Quando eu dizia que morava na rua, que não tinha casa, já perdia
a vaga”.
Em 2014, Marcelo tomou uma decisão que mudou sua vida. “Decidi pedir
ajuda. Foi aí que conheci a república e fui encaminhado para o
acolhimento. Tinha que me reerguer”. O ex-morador de rua buscou nos
livros o caminho para uma nova chance.
“Na república tem uma minibiblioteca. Comecei a estudar muito e pensei
em fazer vestibular”. Marcelo passou no curso de tecnologia em gestão
pública da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Porém, ele
desistiu no 2º período. “Eu passei por um momento que estava
desestruturado, mas penso em voltar”.
Em fevereiro, ele ficou sabendo do edital do processo seletivo. Apesar
de já ter ingressado em uma universidade, Marcelo resolveu concorrer ao
cargo de nível fundamental incompleto. “Eu estava buscando estabilidade.
Uma possibilidade para me reerguer, estruturar a minha vida”, disse.
O resultado saiu em abril, surpreendendo Marcelo. “Quando eu saí da
prova, senti que tinha ido bem, mas nunca imaginei ter ficado em
primeiro lugar. Passou um filme inteiro na minha cabeça. Nada na minha
vida veio fácil. Foi bastante sofrimento. Ter conseguido passar foi uma
alegria imensa”. Marcelo tomou posse do cargo e já está trabalhando. Ele
recebe R$ 876,66 por mês.
Fonte: G1