Sobre um gaveteiro com
sepultados recentes (onde o nome dos mortos é gravado diretamente no
concreto) estão as ossadas. Uma árvore e uma mesa são os únicos meios
para subir e visualizar o local, por isso a situação só foi descoberta
após parte de um esqueleto cair na casa muro a muro com o cemitério.
“Temos um grupo na cidade que vem fiscalizando o que acontece, então
acabamos sabendo da situação”, explica Isak de Castro, estudante de
história de 22 anos, citando o grupo Muda Paudalho. “Viemos aqui,
registramos e entramos em contato com um promotor público, que ficou de falar com a prefeitura.” A reportagem do Diario
falou com uma residente da casa onde a ossada foi encontrada, que
confirmou o fato, mas preferiu não se identificar. “Isso não pode
continuar. Estou procurando informações, pois provavelmente os restos
mortais da minha avó que faleceu há 5 anos está no meio destes”, lamenta
Isak.
Coveiro do local há 10 anos, Edvan Angelino conta que o procedimento de retirada das ossadas é feito para abrir espaço para novos
sepultamentos, e que há o conhecimento prévio dos familiares que os
restos serão removidos após cerca de dois anos. “Cada gaveta tem um
número e uma letra – como, por exemplo, B9 – e essa é a identificação
que a gente coloca nos sacos. Se a família aparecer rapidamente, com um
ou dois meses da retirada, ainda é possível identificá-los.
Depois, fica difícil.” Ele confirma que,
mesmo assim, aparecem familiares que não tem conhecimento da remoção, e
não encontram os parentes sepultados ou seus restos. “Tudo é feito
corretamente, não deixamos sacos abertos, não.”
A mesma afirmação é dada pela prefeitura de Paudalho, que diz em nota que “não existem ossadas expostas de forma irregular”. É explicado que há uma superlotação do cemitério e, portanto, ossadas são retiradas das gavetas públicas após 3 anos do sepultamento e, desde que não haja reivindicação da família, colocadas em sacos de nylon identificados. Não foi o que a reportagem do Diario verificou: os restos não estavam em recipientes lacrados nem com identificação. A prefeitura também afirma que após o término do inverno iniciará a construção do ossuário coletivo no cemitério de Pirassirica, distrito de Paudalho, como acordado com o Ministério Público Estadual.
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