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Tatuagem chega como favorito no final do Festival de Gramado



Todos os olhos vão estar voltados para a cerimônia de entrega dos Kikitos do Festival de Cinema de Gramado. A festa acontece neste sábado (17/08), às 19h, no Palácio dos Festivais. Desde sexta-feira o sol voltou a brilhar na Serra Gaúcha e a previsão é que, apesar do frio, a chuva não vai atrapalhar o fim de semana. Quem quiser acompanhar a cerimônia ao vivo tem a opção da transmissão do Canal Brasil, que contará com comentários do crítico paulista Luiz Zanin e do crítico gaúcho Roger Lerina.

A bolsa de apostas continua forte para o pernambuco Tatuagem, de Hilton Lacerda, que passou no 
comecinho do festival, na Mostra de Longas-metragens Brasileiros. Entre os estrangeiros, o documentário Repare bem, da portuguesa Maria de Medeiros, também continua na dianteira. Os dois exibidos na noite de sexta não mudaram o panorama dos favoritos. Na Mostra de Longas-metragens Estranteiros, o colombiano Cazando luciérnagas (Caçando vagalumes), de Roberto Flores Prieto, caprichou no visual na história sobre um homem solitário, que trabalha num posto de observação marítimo, cuja rotina é quebrada com a chegada da filha. A coleção invisível, de Bernard Attal, que concorre na Mostra de Longas-metragens Brasileiros, mostrou qualidade ao captar o clima de desolação na outrora rica região do cacau, no sul da Bahia. 

Na noite de quinta-feira, também foram apresentados dois longas, um de cada mostra. As sessões foram agradáveis e o público curtiu bastante os filmes exibidos. A plateia gaúcha aproveitou para aplaudir outra prata de casa. A oeste do fim do mundo, de Paulo Nascimento, é uma coprodução entre a Argentina e o Brasil. Até agora, a produção gaúcha foi a segunda a se destacar na fraca Mostra Competitiva de Longas-metragens Estrangeiros. Mas não se trata de um bom filme. Nem mesmo o competente trio de atores salva a história batida e a narrativa rarefeita.

Basicamente, o diretor ficou embasbacado com o cenário onde se passa A oeste do fim do mundo. Com exceção de poucas cenas envolvendo a personagem Ana (Fernanda Moro), quase todo o filme se desenvolve em apenas uma locação, um posto de gasolina à beira da Cordilheira dos Andes, na Argentina. É lá que Ana, saindo de sua rota, aparece para encontrar o argentino/uruguaio León (César Trancoso) e o brasileiro Silas (Nelson Diniz), um motoqueiro que sempre aparece no lugar para tratar de negócios com o dono do posto.

Em pouco tempo, apesar do ritmo narcotizante da narrativa, o espectador percebe o que vai rolar entre os personagens e os segredos que eles carregam: desamor, perdas amorosas, filhos deixados para trás, etc. Para complicar ainda mais, Paulo Nascimento parece ter escolhido o cenário mais por fetiche do que pela necessidade dramática. Na maior parte das cenas, ele trata as montanhas como uma espécie de Monument Valley, como se ele se arvorasse em êmulo de John Ford. A janela em contraluz de Rastros de ódio (The searchers, 1956) é citada dezenas de vezes.

A forma de relacionamento entre o personagem César e o filho, que se comunicam apenas por telefone, lembram o pai e o filho de Paris, Texas (1984), de Wim Wenders. Até a trilha sonora, com acordes de violão, tenta macaquear o filme do diretor alemão. A oeste do fim do mundo é a prova viva de que a cinefilia não é salvo conduto para fazer de qualquer filme uma obra de arte.

Do mesmo mal padece o longa-metragem Primeiro dia de um ano qualquer, de Domingos de Oliveira, que concorre na Mostra Competitiva de Longas-metragens Brasileiros. O veterano diretor carioca faz o seu personagem de sempre: um cineasta-dramaturgo que só olha para o próprio umbigo, não obstante a constelação de personagens que habitam o seu filme. Desta vez, ele é Napoleão, um septuagenário convidado por uma amiga, uma socialite escritora interpretada por Maitê Proença, para uma festa entre amigos. O filme alinhava uma série de eventos envolvendo casais e pequenas traições. Alguns momentos são divertidos, outros, constrangedores.

Fonte: http://jconline.ne10.uol.com.br